segunda-feira, 20 de junho de 2022

Colheita

 

A colheita de tudo o que você plantou

O cortejo fúnebre do que matou

As consequências de seus próprios atos e palavras

Ditas, gritadas, silenciadas, moídas entre os dentes

O futuro que você planejou

As tempestades que semeou chegando feito tormenta a sua janela

 

Não há nada aqui

Apenas aquilo que você mesmo quis

Apenas as mentiras que sussurrou, apenas as ilusões que vendeu

O solo morto onde já floriram rosas

Apenas as palavras que não diz

Apenas tudo aquilo que perdeu

 

Você foi alertado, avisado, reavisado

Não diga que tudo é súbito e inesperado

A paciência que descia lenta e silenciosa pela ampulheta do tempo

Esvaiu-se de só uma vez

E você, vendo tudo de seu trono esfarrapado de desculpas, exasperado

Nada fez

 

Não há nada aqui

Apenas aquilo que você mesmo quis

Apenas as mentiras que sussurrou, apenas as ilusões que vendeu

O solo morto onde já floriram rosas

Apenas as palavras que não diz

Apenas tudo aquilo que perdeu

 

É o que você sempre faz, fez, fará

O que repete de novo e de novo

Uma criança que não aprende, não importa quantas vidas lhe forem dadas

Novas chances não farão você mudar

Novas lições não farão você aprender

E o lugar na frente do quadro negro sempre terá

Mulheres cansadas, caladas, mal amadas

Um lugar onde não quero mais viver

 

Um lugar onde não quero mais viver

Me alforrio dessas correntes

Me livro desse karma

Me desfaço dessas dores

Enterro esse cavalo

Crio asas e voo pra longe.