terça-feira, 18 de agosto de 2015

Caramelo

A textura levemente áspera de seus cabelos nas pontas de meus dedos transmitem choques elétricos que ecoam direto na parte mais profunda do meu cérebro. Entrelaço-os em seus cachos, prendendo com firmeza. Enterro meu nariz em sua nuca, inalando a fragrância agridoce de perfume e suor. O caramelo dos seus olhos me encara com fervor, a luz amarela que vem da janela os fazem parecer duas pedras douradas que me encaram com desejo. Deito-me em seu peito e escuto ecos de seu coração descompassado, que acelera quando eu furtivamente planto beijos na base de seu maxilar áspero. Você ronrona, geme, reclama quando a mordida em seu lóbulo é mais forte do que você disse que poderia ser, e ignoro seus protestos mordiscando ainda mais. Você geme mais alto. Eu mordo mais forte. "Merece um castigo por isso", diz rouco entre suspiros, e eu digo que mal posso esperar. As mãos fortes em meu quadril fazem-me girar para esquerda para que você, deliberadamente, fique em cima de mim, me pressionando. "Virada de jogo", um aviso. É você quem me morde agora. A ferroada ácida de seus dentes em meu mamilo manda sinais confusos, mas não protesto. Sorrio, e meu sorriso faz seu rosto se derreter feito vela quente em dia de finados, um sorriso bobo de olhos redondos que não precisam me dizer mais nada, nada mais do que eles dizem agora. "Eu gosto, ", eu explico, "eu sei", você responde, e morde outra vez, no pescoço, e não é isso meu amor. Não é a delícia da dor que me agrada. São seus olhinhos bobos reluzentes que derretendo me fazem arder, uma bola incandescente cresce em meu peito quando me olhas assim, e não preciso de mais nada. De palavra nenhuma, de nenhuma promessa, tua face tão amável me conta todos esses segredos que você faz tanta questão em esconder. Beijo seus lábios que rescendem a chocolate e vinho merlot, e não há sabor mais inebriante. 

Tuas mãos habilidosas afagam meu seio esquerdo e escapa um suspiro profundo. Você adora, tu zombas. Não, não adoro, eu amo. Você ri, achando que falo meramente de suas habilidades, quando quero dizer que amo essa sua risada esquisita, teu cabelo bagunçado, e como você é tão esperto e tão burro ao mesmo tempo. Sua língua faz curvas em meu mamilo enquanto eu solto um gritinho ridículo, arfo meu peito em direção aos seus lábios, e fecho os olhos imaginando que me dizes o que quero ouvir. Você não irá dizer, eu sei, talvez porque não sinta, ou talvez porque minta, pra si mesmo e pra mim, e finjo que essas mentiras na ponta de sua língua são o suficiente.

Escapo de seus abraços, e levanto-me, para longe. Não ouso olhar-lhe nos olhos. Está escrito ali, todas as palavras mal ditas, as verdades dolorosas. O caramelo transforma-se em negro, nuvens cinzentas pairam em seu semblante enquanto visto minha roupa. Não me olhe assim, por favor. Vejo o nó de seus dedos esbranquiçarem, agarrando com força a beirada da cama desarrumada, como se segurasse a vontade de me pedir para ficar. O que foi?, você pergunta. Não fica assim, você pede. 

Não é nada, meu amor. Nada.

Não somos nada.

E fecho a porta atrás de mim.

Um novo começo

   Ensaios de uma Crise será, ou ao menos tentará ser, um blog-diário com crônicas, histórias curtas, frases ou qualquer produção literária que vier à mente. Uma tentativa de pôr em palavras os pensamentos tortuosos de alguém que sofre de ansiedade crônica, os sentimentos, aflições e cenários que transbordam da alma em palavras quando não se pode dizer mais nada. Uma tentativa também de divulgar os projetos literários em andamento - romances e contos que estão sendo escritos. 

   Sinta-se livre para comentar, sugerir, pedir, incomodar! - mas não incomoda. Qualquer feedback é muitíssimo bem-vindo e louvado, gaste três minutinhos de sua vida para comentar os mal fadados textos dessa escritora de meia pataca, pelo amor dos deuses! Não ligue para o layout capenga feito as pressas, perdi o groove de me aventurar nos HTMLs da vida (isso ainda existe gente?!) e é isso, por enquanto, querendo fazer uma doação simplória de acabamento de design estamos aceitando, de bom grado. 

   Não prometo atualizações constantes, porque de fogo de palha minha lista de blogs abandonados está cheia.  

   Nos vemos em breve,


  Aika